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O que é a tecnologia do impedimento semiautomático (SAOT)?

A tecnologia de impedimento promete consistência e agilidade na avaliação de jogadas. Confira como funciona.

Uma das promessas de Samir Xaud nas eleições para presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de 2025 foi a implementação da tecnologia do impedimento semiautomático no início do Campeonato Brasileiro Série A de 2026. No entanto, a novidade estreou apenas na 20ª rodada e foi utilizada em cinco partidas (Santos x Chapecoense, Bahia x Corinthians, Flamengo x São Paulo e Remo x Vitória), confirmando ou anulando gols marcados.

A ferramenta que é utilizada pela FIFA desde a Copa do Mundo de 2022 e pela UEFA desde 2024 demorou a chegar ao Brasil devido ao alto custo financeiro dos equipamentos e à falta de infraestrutura adequada em grande parte dos estádios nacionais, exigindo um longo processo de vistorias, calibração de câmeras e testes de segurança antes da implementação total.

Árbitros do VAR analisam lance junto com imagens geradas pela tecnologia do impedimento semiautomático.
Integração entre VAR e SAOT faz parte da implementação do impedimento semiautomático. Foto: Fábio Souza/CBF

Quando foi Criado?

A Semi-Automated Offside Technology (SAOT), ou tecnologia de impedimento semiautomático, passou a ser desenvolvida pela FIFA logo após o fim da Copa do Mundo de 2018. A justificativa da entidade para criar a SAOT foi a agilidade da tecnologia em comparação às revisões do VAR e a eliminação do “erro humano” e, além disso, ser mais transparente com os torcedores quanto às linhas que são traçadas no campo.

Acompanhe a linha do tempo do SAOT:

  • 2019: A FIFA iniciou o desenvolvimento do sistema para automatizar a parte mecânica da linha de impedimento.
  • 2021: Ocorreram os primeiros testes práticos em competições oficiais de menor escala, como o Mundial de Clubes FIFA 2021.
  • 2022: Teve sua estreia oficial e global na Copa do Mundo do Catar, sendo também adotada pela UEFA na Champions League da temporada 2022-23.
  • 2025/2026: Começou a ser expandida para as ligas nacionais, estreando em ligas como a Premier League inglesa e a Liga MX do México.
  • Julho de 2026: Chegou de forma oficial ao futebol brasileiro, fazendo sua estreia na 20ª rodada do Campeonato Brasileiro da Série A.

Como Funciona o Impedimento Semiautomático?

A SAOT é um sistema de rastreamento por câmeras e inteligência artificial usado para auxiliar a equipe do VAR. Ela detecta a posição exata dos jogadores e da bola em campo, gerando imagens em 3D para agilizar e dar mais precisão às decisões de impedimento.

No Brasil, o sistema de impedimento semiautomático conta com entre 28 e 32 câmeras exclusivas instaladas por estádio. Além disso, todas as câmeras gravam em resolução 4K e operam a uma taxa de 100 frames por segundo, o dobro das transmissões comuns de TV.

Implementação no Brasil

Apesar de ter sido prometido para o início do Campeonato Brasileiro Série A e da Copa do Brasil, essa inovação chegou em território nacional apenas em julho de 2026, na 20ª rodada do Brasileirão. No entanto, até o momento, apenas avalia implementar a tecnologia na Copa do Brasil apenas a partir das quartas de final, dependendo da instalação do sistema em todos os estádios envolvidos.

Mesmo tendo implementado a tecnologia, o serviço contratado pela CBF, tem quatro diferenças básicas em relação aos procedimentos usados na Copa.

Na Copa, o serviço foi executado em uma parceria entre a Hawk-Eye e a FIFA. O sistema contava com rastreamento óptico de câmeras e inteligência artificial, além de um acréscimo dos sensores na bola e outras ferramentas. No Brasileirão, a tecnologia será responsabilidade da Genius, que também opera na Premier League, no Campeonato Mexicano e na Bélgica.

Haverá cooperação entre as fornecedoras da Copa do Mundo e do Brasileiro. Isso porque a Hawk-Eye é a responsável por operar o VAR no Brasil e os dois sistemas vão trabalhar de forma integrada.

As diferenças entre as tecnologias do Brasileirão e da Copa do Mundo baseiam-se principalmente em quatro pontos: chip na bola, captação dos dados, comunicação com os árbitros e forma de distribuição da imagem final. Entenda cada ponto:

Sem chip

O sistema utilizado na Copa do Mundo também contava com câmeras instaladas ao redor do estádio, e recebeu um upgrade com um sensor na bola, que auxiliava a equipe de arbitragem a determinar os lances de impedimento. Era possível identificar o exato momento em que a bola havia sido tocada pelo jogador que deu o último passe, portanto.

A tecnologia contratada pela CBF não contém esse chip. O serviço utiliza de 28 a 32 câmeras de alta resolução espalhadas por diferentes pontos do estádio, o que, na visão a Genius, compensa a não utilização de chips na bola.

Mais dados

Na Copa do Mundo, as 16 câmeras no estádio trabalhavam com imagens de 50 frames por segundo. No Brasileirão, será utilizado aproximadamente o dobro de câmeras em cada jogo, com imagens de 4k de resolução e 100 frames por segundo.

Com um maior número de aparelhos para mapeamento, o sistema do Brasileirão têm a capacidade de captar uma quantidade maior de informações a partir das imagens do campo.

Comunicação com os assistentes

Nos jogos da Copa do Mundo, com a velocidade na tomada de decisão dos lances de impedimento oferecida pela tecnologia, os assistentes eram comunicados em tempo real e orientados a levantar ou não a bandeira.

No Brasileirão, os bandeirinhas continuarão trabalhando sem o auxílio prévio da tecnologia. Portanto, a marcação do campo prevalecerá até a conclusão da jogada. O impedimento semiautomático entra em ação posteriormente, para validar ou não a marcação de campo.

Velocidade da entrega da imagem

A empresa contratada pela CBF promete entregar a imagem digital final, comprovando o impedimento ou não do jogador, em “questão de segundos”, de acordo com Guilherme Buso. Nos jogos da Copa, a transmissão e o telão do estádio exibiam essa arte minutos depois, com a bola já rolando.

Internamente, a Hawk-Eye considera que o intervalo entre o lance e a exibição da análise se devia à uma decisão editorial da transmissão.

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