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Do boom à saída de campo: O fenômeno do e-sports nos clubes brasileiros

Diante títulos mundiais e encerramentos silenciosos, relembre como Santos, Corinthians, Flamengo, Vasco, e outros times viveram o fenômeno dos e-sports.

Entre 2015 e 2021, boa parte dos principais clubes de futebol do Brasil apostou em times de e-sports para conquistar um público mais jovem e diversificar receitas. Santos, Corinthians, Flamengo, Vasco, Grêmio e outros chegaram a montar equipes profissionais em jogos como Free Fire, League of Legends e Counter-Strike, e tiveram bastante investimento durante a pandemia de Covid-19, quando ocorreu um aumento do público digital com o isolamento social. Porém, com o passar dos anos, boa parte desses projetos foi encerrada, vendida ou simplesmente abandonada, enquanto poucos clubes seguem a apostar na modalidade.

O surgimento

O Santos foi um dos pioneiros do movimento, criando uma equipe de e-sports em 2015, quando o cenário competitivo brasileiro se desenvolvia fora do futebol. A Santos Dexterity, parceria do Santos com a equipe Dexterity, competiu em jogos como Rainbow Six Siege, Counter-Strike e League of Legends, abrindo portas desta modalidade para um surgimento e desenvolvimento futuro de mais times apostando no e-sports.

O grande boom veio a partir de 2017, quando o Corinthians entrou no meio competitivo como Corinthians eSports, dois anos depois, conquistou o título mundial de Free Fire de 2019, um resultado que rendeu bastante engajamento nas redes sociais na época.

Time de e-sports do Corinthians em campeonato de free fire
Equipe de e-sports do Corinthians na Liga Brasileira de Free Fire em 2021. Foto: Flickr Oficial/Garena Free Fire

No mesmo período, o Flamengo Esports, fundado também em 2017, vivia uma grande fase no League of Legends, e depois de perder a final, a equipe do Flamengo venceu a INTZ e conquistou o segundo split do Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLoL) de 2019, garantindo vaga no Mundial da modalidade.

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Flamengo venceu a INTZ e conquistou o segundo split do Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLoL) de 2019. Foto: Flickr Oficial/CBLoL.

Quem mais entrou na disputa

Diversos clubes brasileiros entraram também no meio digital marcando sua presença em jogos digitais. O Vasco da Gama fechou parceria com a organização Black Dragons em 2021 para gerir seus esports, formando a marca BD Vasco. A equipe ganhou, em julho de 2022, o título da C.O.P.A. Free Fire, um dos principais torneios do jogo no país.

O Athletico Paranaense, no fim de 2020, desenvolveu o Athletico Zombies. O Athletico Paranaense foi o campeão do e-Brasileirão PRO 2022, campeonato realizado em parceria da Konami com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), após derrotar o Vasco da Gama na grande final. 

O Grêmio Esports, que surgiu no fim de 2023, garantiu o título do campeonato Sul-Americano do Fortnite Championship Series (FNCS) – Global Series 2025, na etapa regional Major 2. Os jogadores Stryker, Cadu, e Tisco garantiram a vitória para a equipe gremista e mantêm o feito de único clube brasileiro a vencer a FNCS e garantir vaga no Mundial de Fortnite.

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Tisco, Stryker e Cadu no campeonato global FNCS 2025 Global Championship) em Lyon, na França. Foto: Michal Konkol/BLAST/EPIC Games

O game over dos clubes brasileiros

O início da queda começou a aparecer já em 2021 e se intensificou nos anos seguintes. Desde 2023, o investimento dos clubes diminiu drasticamente acerca do meio de e-sports, além de uma grande dominância no meio digital de organizações estabilizadas há anos como FURIA, LOUD, MIBR. O retrato do e-sports dos clubes brasileiros hoje é mais o de uma aposta que deu certo para poucos, do que uma revolução consolidada.

O Santos, sendo um dos pioneiros nessa modalidade digital, encerrou suas atividades nos e-sports em 2022, rompendo contrato comercial com a empresa Select, além de processo alegando descumprimento de regras do contrato.

O Vasco encerrou a parceria com a Black Dragons em fevereiro de 2023, pouco mais de um ano e meio depois de firmá-la, em meio a uma queda de audiência do Free Fire no país. 

O Athletico Zombies possui atividades inativas desde 2023, atuando bastante no Valorant desde 2020, atualmente possui perfis descontinuados no X e Instagram.

Em 2025, o time e-sports do Corinthians sofria de problemas com a empresa que geria o licenciamento da marca, essa crise culminou com o time cortado do campeonato Free Fire World Series Brasil (FFWSBR). Assim, em setembro de 2025, o Corinthians rescinde contrato com a empresa CDS E-Sports e Entretenimento.

O Flamengo se afastou do Free Fire naquele ano após o time ser rebaixado para a Série C da Liga Brasileira de Free Fire (LBFF). No final de 2025, o flamengo encerrou contrato com a agência que geria o clube no setor e paralisou suas atividades.

O Grêmio Esports, é um dos poucos que ainda estão em atividade atualmente, com forte presença no Instagram atuando em jogos como Pokemon Unite, Counter-Strike 2 e Fortnite.

Autor

  • Pedro Oliveira

    Natural de Santos, sou estudante de Produção Cultural na Universidade Federal do Paraná, atualmente cursando o 4° período. Sempre tive uma enorme paixão pelo futebol, principalmente como forma de pertencimento, identidade coletiva e patrimônio cultural. No Gol na Bola, busco explorar o futebol como item cultural e político, além de realizar coberturas do futebol brasileiro e de várzea.

    Email: [email protected] / Instagram: @pe.oliveira6



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