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Os direitos de transmissão que tiram o direito da torcida

Entenda como a fragmentação dos direitos de transmissão em diferentes canais prejudica os torcedores brasileiros.

O futebol brasileiro possui um dos calendários mais extensos do mundo. Ao longo da temporada, um mesmo clube pode disputar o campeonato estadual, torneios regionais, o Brasileirão, competições continentais e, eventualmente, torneios mundiais. Porém, essa grande quantidade de campeonatos não se traduz em um único lugar para assistir, prejudicando o acesso do torcedor. Assim, quanto mais competições, mais fragmentada fica a divisão de direitos de transmissão entre TV aberta, TV por assinatura e diferentes plataformas de streaming.

Fotógrafos com direitos de transmissão na Vila Belmiro
Foto: Leo Sguaçabia/Ag. Paulistão

Contexto Histórico

De 2019 para cá, o streaming vai ganhando mais força, garantindo os direitos de transmissão das competições e consequentemente se fragmentando cada vez mais. Amazon Prime Video,  Disney+, Paramount+, Premiere competem atualmente com canais de televisão, mesmo com jogos disponíveis gratuitamente em canais como CazéTV ou Globo.

Após a sanção da Lei do Mandante (Lei 14.205/2021), o clube mandante passou a poder negociar sozinho a transmissão de suas partidas em casa, sem depender de acordo com o time visitante. Essa mudança abriu caminho para que um clube tivesse a liberdade para negociar seus próprios direitos separadamente, e junto do grande surgimento e movimento das plataformas de streaming na disputa por competições, mais pulverizado se tornou a transmissão entre diferentes canais e plataformas.

Afastamento do Torcedor

Para o torcedor, essa fragmentação acaba se tornando uma questão de acesso. Antes de decidir qual jogo assistir, é necessário descobrir em qual canal  ou plataforma aquela partida específica vai passar, podendo ser por TV aberta, transmissão ao vivo gratuita, ou até um time possuindo campeonatos dividindo em 3 ou 4 plataformas diferentes em uma mesma temporada

Cada competição tem sua própria lógica de distribuição, o que obriga o torcedor a se planejar rodada a rodada só para saber onde vai e se irá conseguir assistir ao próprio time jogar. Essa lógica fica clara quando se nota como cada competição nacional e continental foi dividida entre os canais em 2026.

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Foto: Bob Paulino/Agência Paulistão

Cada competição, uma assinatura diferente

Um dos principais canais de transmissão para acompanhar o Brasileirão é o Premiere. O canal transmite a maioria dos jogos do campeonato, e possui um plano anual com custo de R$ 29,90 por mês (R$ 358,80 por ano). A Amazon Prime Video detém 1 jogo exclusivo por rodada de um clube mandante da Liga Forte União (LFU), que contém, principalmente, Corinthians, Fluminense, Vasco da Gama, Internacional, Cruzeiro, Botafogo, entre outros.

Na Libertadores e Sul-Americana, o cenário se repete. A Libertadores é transmitida pela Globo em TV aberta ou Globoplay, pela ESPN e serviços de streaming como Disney+ e Paramount+. A Sul-Americana é transmitida pelos mesmos serviços de streaming, porém com a SBT possuindo os direitos em TV aberta. Então nesse caso, o torcedor pode precisar pagar mais de duas assinaturas diferentes para acompanhar a transmissão.

Na Copa do Brasil, o pacote é dividido entre Globo e Amazon Prime Video. A Amazon Prime Video possui 40 jogos com exclusividade e 14 jogos não exclusivos durante as quartas de final, semifinais e finais. Assim, um clube que disputa a Série A do Brasileirão, Libertadores ou Sul-Americana e a Copa do Brasil, pode exigir de três ou mais assinaturas distintas para que o seu torcedor possa acompanhar a temporada do seu time.

Quanto custa acompanhar o time do início ao fim?

Somando todos esses canais, o gasto mensal do torcedor sai caro. Um torcedor em que o time irá jogar o Brasileirão, um campeonato continental e a Copa do Brasil, assinante de planos anuais do Premiere, Amazon Prime Video, Disney+, Paramount+ pode chegar a gastar em torno de pelo menos 120 reais por mês, para acompanhar as partidas do seu time e outros jogos do campeonato.

No fim das contas, para ver o time jogar os campeonatos da temporada, o torcedor brasileiro pode gastar mais do que pagaria por um pacote completo de TV a cabo há poucos anos, porém agora dividido entre três ou cinco assinaturas diferentes, cada uma cobrindo apenas uma fatia do calendário.

Autor

  • Pedro Oliveira

    Natural de Santos, sou estudante de Produção Cultural na Universidade Federal do Paraná, atualmente cursando o 4° período. Sempre tive uma enorme paixão pelo futebol, principalmente como forma de pertencimento, identidade coletiva e patrimônio cultural. No Gol na Bola, busco explorar o futebol como item cultural e político, além de realizar coberturas do futebol brasileiro e de várzea.

    Email: [email protected] / Instagram: @pe.oliveira6



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2 thoughts on “Os direitos de transmissão que tiram o direito da torcida

  1. Gostei muito do tema da matéria, infelizmente hoje acompanhar o seu time está cada vez mais caro.

  2. Parabéns pela matéria. Ótimas informações, muito importante pensar sobre isso e falar sobre.

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