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A crise dos técnicos brasileiros: por que o Brasil perdeu espaço dentro e fora de casa?

Os motivos por trás da escassez de treinadores brasileiros em posição de destaque e uma breve comparação com as gerações passadas.

Desde 2020, o futebol brasileiro vive uma tendência de técnicos estrangeiros ocupando cargos por aqui. Alguns trabalhos chegaram no mais alto nível, enquanto outros não deixaram tanta saudade no torcedor. Ainda assim, sempre que é chegada a hora de um time ir ao mercado buscar um novo nome para comandar seu plantel, os nomes de treinadores das mais diferentes nacionalidades começam a pipocar, e o motivo disso passa principalmente pela ausência de treinadores brasileiros em evidência na atualidade.

Abel Ferreira, técnico do clube brasileiros Palmeiras
O técnico Abel Ferreira, da SE Palmeiras, recebe homemagem na sala de troféus do clube, no Nubank Parque. (Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon)

É tempo de estrangeiros!

Após a queda precoce para a Noruega na última Copa do Mundo FIFA, a seleção brasileira foi amplamente criticada por seu desempenho na competição, e um dos principais alvos foi o treinador Carlo Ancelotti. Apesar de seu currículo, o italiano não passou impune, e seu nome passou a ser questionado à frente da Canarinho; afinal, é a primeira vez na história que a seleção é comandada por um estrangeiro em uma Copa do Mundo, e seu contrato já foi renovado por mais quatro anos, cobrindo todo o ciclo até a Copa do Mundo de 2030.

Ancelotti, técnico, não brasileiro, da seleção canarinho
Carlo Ancelotti, em coletiva de imprensa da CBF. Foto: Rafael Ribeiro/CBF

A presença de Ancelotti no comando da Seleção, portanto, não é apenas um episódio isolado, mas também um símbolo de uma transformação mais ampla no futebol brasileiro. Tem ganhado cada vez mais espaço o debate sobre a escassez de bons trabalhos dos técnicos brasileiros em clubes de ponta. Um bom exemplo disso é o próprio Brasileirão, que contou com dezenas de treinadores estrangeiros nos últimos anos, causando um aumento significativo em relação à década passada. Tal aumento pode ser explicado, em parte, pelo sucesso dos portugueses Jorge Jesus e Abel Ferreira, que conquistaram muitos títulos em um pequeno intervalo de tempo e chamaram a atenção de clubes brasileiros para a qualificada escola de treinadores lusitanos.

A safra atual e a velha escola dos nossos treinadores

Na contramão dessa onda de treinadores estrangeiros, alguns brasileiros se destacaram também em nosso futebol nos últimos anos. Entre eles estão Rogério Ceni e Fernando Diniz, que já apresentaram bons trabalhos, mas deixaram a desejar em outras ocasiões; e o jovem treinador Filipe Luís, que apesar de ter uma carreira ainda muito curta, demonstrou grande potencial em sua passagem pelo Flamengo e, após ser demitido pela diretoria, decidiu atravessar o oceano para treinar o Monaco.

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Filipe Luís, com a taça da Libertadores de 2025. Foto: Adriano Fontes/Flamengo

Filipe é hoje um dos nomes mais promissores da nova safra brasileira e o único brasileiro nesta década a comandar um clube das cinco principais ligas europeias. A título de comparação, de 2000 a 2010, o Brasil teve cinco treinadores na elite do futebol europeu (Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e França), sendo eles Abel Braga, Ricardo Gomes, Vanderlei Luxemburgo, Felipão e Leonardo. Desde então, apenas Sylvinho havia realizado o feito quando treinou o Lyon durante uma curta passagem de três meses em 2019, o que evidencia como os treinadores brasileiros perderam espaço no mercado global.

Portanto, quando ouvimos alguém que viveu o século passado afirmar que o futebol e os treinadores brasileiros eram melhores do que os atuais, não se trata apenas de puro saudosismo. Observando grandes “professores” como Zagallo, Telê Santana, Vanderlei Luxemburgo, Parreira, entre outros, podemos notar não só as inúmeras conquistas, mas principalmente a inovação e o legado que eles deixaram, alinhando a técnica dos jogadores do passado com táticas, revolucionárias em suas épocas, para montar verdadeiras máquinas que marcaram época no futebol brasileiro e mundial.

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O técnico Zagallo e o capitão Carlos Alberto Torres, após a conquista da Copa de 1970. Foto: Fundo Correio da Manhã

Temos trabalho a fazer!

Fato é que o futebol (e o mundo) nunca foi tão globalizado como é hoje, e se antes o Brasil, país do futebol e berço dos maiores talentos do esporte, saía sempre na frente pela qualidade técnica e individualidade dos grandes craques, hoje o jogo exige outro tipo de abordagem, com muito mais intensidade, compactação e variações táticas. Cabe aos nossos profissionais se atualizarem, adotarem métodos modernos de treinamento e gestão do grupo, e assim, elevarem o nível do futebol apresentado por aqui. E é responsabilidade dos clubes e seus gestores, darem tempo e espaço para surgirem novas ideias e construírem processos de longo prazo que deem ao técnico segurança para implementar seu trabalho. O Brasil continuará produzindo jogadores, mas precisa voltar a produzir profissionais capazes de potencializar esses talentos, e assim, voltar aos tempos de glória da camisa verde e amarela.

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