CONIFA: A outra Copa do Mundo
O futebol de seleções não é organizado apenas pela FIFA. A CONIFA existe e atualmente cuida do “futebol alternativo”, confira.
A FIFA, criada no início do século passado, mais precisamente em maio de 1904, é a maior entidade existente do futebol. Todas as seis confederações do mundo (UEFA, Conmebol, Concacaf, AFC, CAF e OFC) respondem a ela e seguem as inovações e regras propostas por essa entidade. Além disso, é dona da Copa do Mundo, que, na edição de 2026, movimentou mais de U$80 bilhões na economia mundial.
No entanto, a FIFA não é a única organização que toma conta do futebol de seleções atualmente. A Confederação das Associações Independentes de Futebol (CONIFA), fundada em 2013 e sediada na Suécia, surgiu para preencher uma lacuna que a entidade máxima do futebol deixou em branco: Estados não reconhecidos, minorias étnicas e territórios dependentes.
Na realidade, a CONIFA funciona como uma “FIFA alternativa”, uma opção aos territórios não reconhecidos oficialmente para participar de torneios internacionais de futebol. Ela organiza campeonatos continentais (Copa Europeia CONIFA, Copa América CONIFA, Copa Africana CONIFA, Copa Asiática CONIFA e Copa Oceania CONIFA) e campeonatos mundiais (Copa do Mundo CONIFA Masculina e Feminina).

Uma das integrantes da CONIFA é a Federação Alternativa de Desporto (FAD) do Estado de São Paulo, que, apesar de não organizar competições profissionais oficias no Brasil, que está restrito ao sistema FIFA/CBF, e no estado de São Paulo, que está restrito à Federação Paulista de Futebol (FPF), gere competições como a Taça São Paulo de Futebol Profissional sub-20, sub-21 e sub-23.
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A FAD-SP foi o primeiro membro oficial da América do Sul a garantir uma vaga na Copa do Mundo CONIFA, e integraria o Grupo C na edição de 2024. No entanto, uma sequência de problemas logísticos e organizacionais impediu a realização do campeonato que estava inicialmente marcado para ocorrer no Curdistão.
A CONIFA não foi a única organização que tentou gerenciar o futebol internacional alternativo, antes dela já existia essa ideia, que foi colocada em prática em 2003.
Antecessora da CONIFA
Sob o lema “Para que todos possam jogar”, nascia em dezembro de 2003 a NF-Board (New Football Federations-Board), que mostrou ao mundo que o futebol de seleções de “nações sem Estado” era viável. Ela estruturou as primeiras regras de filiação, uniu os primeiros povos sob uma mesma bandeira esportiva e organizou a Copa do Mundo VIVA.
Entre 2006 e 2012, a NF-Board realizou cinco edições do seu mundial masculino, consolidando as bases do futebol paralelo:
- 2006 (Occitânia – França): Edição inaugural com apenas 3 seleções. A Lapônia sagrou-se a grande campeã.
- 2008 (Lapônia – Suécia): Reuniu 5 seleções e coroou a Padânia como campeã.
- 2009 (Padânia – Itália): Jogando em casa, a Padânia conquistou o bicampeonato consecutivo.
- 2010 (Gozo – Malta): A seleção da Padânia alcançando o tricampeonato histórico.
- 2012 (Curdistão – Iraque): A maior e mais bem-sucedida edição da entidade, com nove participantes. O Curdistão venceu o Chipre do Norte na final diante de 22.000 torcedores em Erbil
E, embora enfrentasse ainda mais barreiras logísticas e financeiras na época, a entidade conseguiu realizar duas edições oficiais da Copa do Mundo VIVA Feminina:
- 2008 (Lapônia – Suécia): Diante das dificuldades, a competição foi disputada em um formato de apenas duas partidas entre as duas únicas seleções que conseguiram enviar suas delegações. A seleção da Lapônia massacrou a equipe do Curdistão, vencendo os jogos por 4 a 0 e 11 a 1, tornando-se a primeira campeã feminina não-FIFA da história.
- 2010 (Gozo – Malta): Novamente foi disputada em duas partidas decisivas devido ao número reduzido de participantes. Dessa vez, a Padânia (região do norte da Itália) ficou com o título após vencer a seleção mandante de Gozo nos dois confrontos (por 4 a 0 e 3 a 0).
Declínio da NF-Board
Após o estrondoso sucesso do torneio em 2012, a NF-Board enfrentou graves problemas de governança, crises de políticas internas e dificuldades financeiras para sustentar seus projetos.
Em janeiro de 2013, a entidade foi praticamente desmantelada. Diante do vácuo de poder e da necessidade de uma gestão mais profissional, a maioria dos membros fundadores decidiu migrar e criar uma nova organização: a CONIFA, que assumiu oficialmente a liderança e o calendário do futebol não-FIFA a partir de 2014.

A Nova Federação
Com a extinção da NF-Board, a CONIFA foi criada para suprir esse espaço que havia ficado em branco. E, para evitar os erros do passado, essa nova federação foi registrada como uma organização sem fins lucrativos.
A transição foi um sucesso imediato. A maioria das seleções que pertenciam à NF-Board migraram imediatamente para a nova casa e, no mesmo ano de sua fundação, a CONIFA já contava com dezenas de filiados. Atualmente, ela acolhe mais de 40 membros ativos distribuídos por todos os continentes do mundo.
O sucesso inicial motivou a entidade a organizar sua primeira Copa do Mundo Masculina logo no ano seguinte, em 2014, na Suécia.
A nova federação organizou competições como: Copas do Mundo Não-FIFA Masculina e Feminina e Copas Continentais. A mais recente sendo a CONIFA Euro 2026, realizada em Insubria (Itália) entre os dias 1 e 7 de junho, que teve como grande vencedor o Chipre do Norte, que derrotou a Padânia na final. O torneio também contou com a presença marcante da Groenlândia.
A Nova Copa do Mundo Não-FIFA
A Copa do Mundo organizada pela CONIFA foi desenhada para ser um torneio de frequência bienal (realizado a cada dois anos), ocorrendo nos anos pares desde sua primeira edição em 2014, e sendo disputado por 12 ou 16 equipes. Para participar do mundial, as seleções precisam cumprir critérios rigorosos de elegibilidade, como:
- Não-afiliação à FIFA: A equipe não pode ter qualquer vínculo ativo com o circuito oficial da FIFA.
- Pertencer a uma categoria específica: Deve representar comprovadamente um Estado não reconhecido, uma minoria étnica/cultural, um povo indígena ou uma região historicamente isolada.
- Estatuto Ético: A federação deve assinar o termo de neutralidade política e pacífica exigido pela organização.
Além disso, precisam passar por um sistema de classificação esportiva específico. Diferente da FIFA, que permite que cada entidade continental cuide de suas próprias eliminatórias, o regulamento da CONIFA funciona por meio de um sistema de “tickets” baseados em mérito esportivo e proporcionalidade geográfica:
Vagas Automáticas:
- Anfitrião: A seleção que sedia o torneio garante vaga direta.
- Atual Campeão: O vencedor da última Copa do Mundo da CONIFA classifica-se automaticamente.
- Wild Card: Um convite discricionário concedido pelo Comitê Executivo da CONIFA para uma equipe de grande impacto cultural ou social.
Vagas Restantes:
São distribuídas de acordo com a quantidade de membros ativos e adimplentes que cada continente possui na organização. Por ter a maioria das equipes filiadas, a Europa sempre recebe o maior número de vagas. Continentes com poucas seleções (como a América do Sul e a Oceania) recebem uma vaga garantida cada.
E, para preencher as vagas do seu continente, as equipes acumulam pontos em um ranking específico de classificação da CONIFA. Esses pontos são conquistados em: Copas continentais, como a Euro CONIFA, e partidas amistosas oficiais devidamente documentadas. Uma vitória contra um membro pleno da CONIFA rende mais pontos do que vencer um clube amador comum.
Segue a lista das Copas do Mundo CONIFA Masculina:
- 2014 (Lapônia – Suécia): A edição inaugural contou com 12 participantes. O Condado de Nice sagrou-se campeão após vencer Ellan Vannin (Ilhas de Man) nos pênaltis, por 4 a 3, depois do empate em 0 a 0 no tempo normal.
- 2016 (Abecásia – Cáucaso): Reuniu 12 seleções novamente e coroou a mandante Abecásia como campeã, depois de vitória nos pênaltis por 6 a 5 sobre o Panjabe.
- 2018 (Barawa – Somália): A terceira edição da competição contou com 16 seleções participantes. , a Transcarpátia conquistou o título sobre o Chipre do Norte, nos pênaltis.
- 2020: A edição de 2020 do torneio, que aconteceria na Escópia (Macedônia do Norte), foi cancelada devido à pandemia da Covid-19.
- 2024: A quarta edição da competição seria realizada no Curdistão (Iraque), e marcaria seu retorno após a pandemia e contaria com a seleção da FAD-SP, mas a CONIFA anunciou o cancelamento do torneio, visto que era impossível sediar a copa no país devido a falta de segurança às delegações, e a única candidata, a FAD São Paulo, não pôde ser escolhido pois não conseguiu comprovar capacidade financeira e organizacional para assumir o evento em cima da hora.
- Até o momento, a entidade não organizou novas competições de nível mundial, tanto para a categoria masculina quanto para a feminina.